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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Crônicas de Arranha Céus - Memórias regressas - I Parte

   Ao entrar no quarto me deparo com o fúnebre e destroçado radio relógio, que pela manhã tinha encerrado seu expediente por um período que digamos...“permanente”, porém nunca consegui acorda na hora, alias nunca consegui é acordar cedo, na hora sempre eu acordo, porém é na minha hora, e não a hora de ir trabalhar, as malditas 7:30Hs, isso porque eu moro perto do escritório, tenho pena daqueles que fazem uma verdadeira cruzada para chegar ao seu trabalho, se aventurando a contra gosto em ônibus lotados, antagônicos a palavra conforto, e ficam ali horas, pobres mortais.

   Então, me vi obrigado a sair e comprar outro rádio relógio, sobre pena de perder a hora e ganhar um chefe fulo da vida me atazanando o dia inteiro, o que tenham certeza, tortura é cócegas perto do que aquele homem faz para nos infernizar. Vou ao guarda roupa, pego uma camisa e uma jeans, me visto e vou à sala, lá pego meu tênis e o calço. Guilhermina tinha já saído do seu quarto e estava em frente da geladeira aberta, estava tão entretida que nem deu sinal de minha presença.
Por fim pega algo que não vi direito e a fecha, foi ai que ela me nota.

   - Vai sair? – Pergunta ela.

   - Sim.

   - Pra onde?

   - Compra um radio relógio, por quê?

   - Ah, já que a gente vai sair, porque nós não aproveitamos e vamos  a um barzinho pra colocar a conversa em dia.

   - A “gente”?

   - Sim, eu vou com você e depois que você comprar o seu rádio relógio, nós vamos num barzinho pra continuar a nossa conversa.

   - Adoro a sua maneira democrática e consultiva.

   - Então tá, me dê 5 minutinhos só pra colocar uma roupinha tá?

   - 5 minutos hein!

   - Tá seu chato, o cara mais apressado viu, nunca vi...- resmunga ela ganhando corredor e virando a esquerda.

   Depois de um tempo, ela se aproxima com um vestido florido e sandálias, um óculos e adornos áureos nos pulsos e pescoço.

   - Podemos senhorita?

   - Tá, vamos.

   Abro a porta e seguimos para o elevador, avançamos sobre o hall e chegamos a rua, a partir da li nos dirigimos ao comércio que ficava perto dali. Gosto de andar no centro, o ar de uma década com riqueza de adjetivos que por mais que eu insista em falar os, ainda sim me faltaras para expressar as sensações indefinidas que esta polis me provoca. Foi ai que nos olhares em vitrine entre a arquitetura exuberante dos antigos e elegantes casarões, sobrados e prédios, sinto um pegar mais forte no antebraço, e o aproximar do corpo contra o meu, de forma que aquele corpo não mais estivesse atrelado a mim, agora ele se juntava de forma diferente, com sentido que até ali me parecia confuso por sua imprecisão, a olhei de modo a evidenciar a minha surpresa mediante ao seu aconchegar mais próximo a mim, porém não percebeu meu olhar, pois batia no meu ombro, que sobre ele apoiava sua rubra cabeça. Dou uma risada baixa, e continuo a caminhar pelas ruas junto dela.

   - Que tal aquele alí? – Pergunta ela apontando a vitrine que estava a nossa direita.

   - É, nada mau, pode ser.

   Entramos na loja, uma senhora por volta dos 60, muito educada nos atende, enquanto tratava da compra com a senhorinha, Guilhermina fuçava a loja, bisbilhotando as prateleiras.

   - Este aqui? – Me pergunta a senhora com a mão estendida para o rádio relógio.

   - Sim, é este. Respondo sem mais delongas

   Ela o pega e segue ao balcão, eu a sigo.

   - R$45,65 senhor, cartão ou em dinheiro.
   
   - Dinheiro, por favor.

   - Para presente?

   - Não, é para mim.

   Pago a senhora, vou até a Guilhermina, que se entretém com os souvenires da loja.

   - Olha esse Heitor, é muito fofo.

   - Tá, mas eu ja comprei o rádio, vais querer ir pro barzinho pra continuar a conversa ou não?

   - Tá, vamos.

   Saímos da loja, a senhora nos acena, e Guilhermina a corresponde carinhosamente lhe retribuino o gesto. Caminhamos um pouco mais e nos deparamos com um velho barzinho conhecido nosso, era ali que nos tempos de faculdade bebíamos e conversávamos, principalmente nas sextas-feiras.

   - Ai que saudades este bar me traz. - Suspirava ela observando o bar enquanto se sentava a mesa dos fundos, nosso tradicional ponto.


 - Dionisio de Aquino -

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Crônicas de Arranha Céus – O pecado bate a porta – II Parte-Final

- Puta merda Guilhermina, o que você colocou nestas malas?

- Só o necessário!

- Ou seja, um closet no mínimo, hahahahha...

- Engraçadinho o senhor não, palhaço!

- Hahahahha, nervosinha! Onde eu coloco estas duas aqui?

- Ponha perto do armário, e essa menorzinha coloque encima do criado mudo.

- Mas algo sinhá?

- Vou fingir que não escutei isso – retruca ela – Não, é só isso. E alias o senhor não irá se vestir não? Tem uma dama no recinto.

- Hahahaha, já se sinta muito digna por eu estar com este roupão, pois por mim andaria de corpo livre.

- Libertino!

- Vindo da senhorita é um reconhecimento inquestionável.

- O que você quis dizer com isso hein?!

- Hahahhaa, nada, nada, mas e então, já esta empregada ou não?

- Trabalho... hahahahaha, nem morta.

- E então viveras de que?!

- Da minha arte!

- Desde quando prostituição virou a 8° arte?!

- Oh! Vai continuar a sessão de coices ou vai me dar um intervalo para eu recuperar o espirito?!

- Hahahaha, desculpe-me, é que terei que reaprender a viver com outra pessoa sobre o mesmo teto.

- Ih rápido, mas mudando de assunto, você esta namorando a Laura ou ainda estão na roubada do sexo? Alias faz tempo que não a vejo, raramente nos conversávamos pela internet.

- Ah não, se não vai querer ressuscitar isso não, mas que mania é essa que todos têm em achar que somos almas gêmeas, de querer nos casar!

- Calma, só perguntei.

- Continua a ”roubada do sexo“.
- Sabia, mas vocês não mudam mesmo.

- O que a senhorita esta falando, lembra-se daquela promessa de casamento que você e o Beto fizeram?!

- A nem vem, nos estávamos bêbados.

- Mas durou depois mais 3 meses.

- Revanchista!

- Hahhahaha, tuchê senhorita.

- Quer saber, eu vou tomar um banho, depois nós continuamos essa conversa.

- Mas vê se não demora que depois sou eu.

- Vou pensar no seu caso – diz ela me fazendo um dengo de mandona.

          Quanto ela pegava suas coisa e ia em direção ao banheiro, eu voltava à mesa para comer o resto de macarrão que tinha esquentado, como enquanto escuto o noticiário, depois coloco o prato na pia e vou a varanda fumar mais alguns cigarros, e Guilhermina ainda naquele banheiro, e a minha impaciência começa, fumo 6 cigarros e nada dela sair do banheiro, quando o 8° acaba, jogo a bituca no balde, entro no banheiro e penduro o meu roupão no gancho detrás da porta, abro o box e entro no chuveiro junto dela, ela com a cara de raiva e de surpresa dispara:

- Oh, eu tô aqui ainda se não percebeu!

- Tá, mas mediante a sua demora sou obrigado a tomar alguma medida.

- Apressado!

-Ah pronto, agora eu sou o apressado, a senhorita que é lerda.

          Ela resmunga e continua a tomar seu banho, foi ai que comecei a observa la com outros olhos aquele corpo no qual já tinha desbravado por algumas vezes. Porém estava mudada, mais mulher parece, com suas sinuosidades mais ressaltadas, de pele alva, porém nada de exagero, era simétrica, de seios, coxas e bunda formosa, ressaltados pela água que caia sobre ela e deslizava sobre suas curvas, o sabonete a valsar sobre aquele corpo que me começava a despertar vontades, de um olhar observador passou para de um predador antes de ter sua presa sob vosso julgo.

          E conforme a suas mãos passeavam em seu corpo, o meu se preparava para dominar lhe, foi quando ela se virou de forma a ficar de frente a mim, e percebendo o meu olhar e o brilho estranho dele, que a observava.

- Heitor, pare, não ouse.

          Inútil clamor, em andar lento, como um lobo a cercar a presa, me dirigi a ela, que recuava a cada passo de avanço que eu dava, por fim, não tendo mais como recuar, pois já estava contra a parece, me lanço contra ela, que reluta, tentando me afastar, não adianta, na reluta dela meu prazer e minha vontade aumenta, consigo neutralizar sua resistência, forço meu corpo contra o dela, seguro suas mãos contra a parede, e por fim beijo a força, e aos poucos sinto que ela vai cedendo, então solto lhe as mãos, vou mordendo e beijando seu pescoço, quando sinto o cravar de suas unhas em minhas costas, então enfio meu falo latejante e pétreo em seu sexo, meto com força, de forma violenta entorpecido pelo ato e os seus gemidos ao meu ouvido enquanto a água quente do chuveiro cai sobre nós.

          Ao mesmo tempo que lhe fodia com força, ela me beijava de forma voraz, profunda e desvairada, de forma que isso me libertava a animalidade da alma, fazendo com que a fodesse com mais força e brutalidade, ao mesmo passo que seus gemidos se intensificavam, e eu a devorar lhe o colo, provar de seus seios, sentindo o chegar do gozo, dou uma ultima e forte estocada, então gozo ao contra ponto que escuto seu gemido forte e o relaxar do antes tenso e rígido corpo possuído.

          Respiro ofegante, e fico ali ainda ligado a ela, depois de nos desvencilhamos, recebo um tapa.

- Canalha! – diz ela com um tom sedutor na voz.

          E se vira de costas a mim. Vendo a em posição aberta e com o falo ainda insaciado, lhe seguro a cintura ao ponto que ela antevendo o próximo lance fala:

- Heitor, nem pense em fazer isso.

          E eu lhe respondo sussurrando ao seu ouvido.

- Tarde demais, somente aproveite o coito.

          Ao termino disto lhe coitei o abruptamente, ela geme alto, numa mistura de dor e prazer, estoco a de forma incessante e rudemente, profano aquele orifício rosado e apertado, me delicio a cada estocada, e me ébrio a cada gemido que ela soa. Depois que dou a ultima feroz metida, esporro generosamente, me sinto completamente saciado, volto a minha razão, e selo a consumação com um ultimo beijo lento e denso. Ao fim, terminamos de nos banhar, vestimos cada qual seu roupão e vamos cada um para o seu lado. E antes que eu entrasse no meu quarto:

- Não penses que sairás ileso de teu crime Heitor – diz ela com voz de ameaça – Não te esqueças de que o inimigo dorme ao lado – continuou ela...



- Dionísio de Aquino -

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Crônicas de Aranha Céus – O pecado bate a porta – I Parte

         Acordo as 7h 30min de um domingo por esquecer de desligar a merda do despertador, jogo o com tudo contra o chão, por fim ele para, viro e tento voltar a dormir, inútil, viro e reviro, e sem êxito, me levanto da cama, coloco o roupão, o apartamento esta frio, saio do quarto, sigo pelo corredor até a cozinha, pego meu maço e o isqueiro, vou até a varanda, me sento na cadeira de praia que deixo lá, e coloco meus pés sobre a grade, acendo um cigarro, fumo enquanto olho para a cidade, e fico por um tempo ali, sem pensar em nada, adoro, é como se finalmente provasse do doce néctar da paz, como se fosse imune ao mundo. 
          
         Depois de fumar uns três ou quatro cigarros, vou à cozinha, ver se restou um pouco do jantar de ontem, ligo o radio e o deixo sintonizado numa radio de noticias, esquento o meu prato, pego o e vou à mesa para comer, quando ia me sentar, a campainha toca, vou à porta, e pelo olho-magico vejo uma ruiva estonteante, de olhos anis vividos e mal intencionados, com um vestido negro, curto, de decote generoso e colado ao corpo, de maneira que ressaltava aquele corpo sinuoso e bem apanhado.

          Porém, o curioso é que eu desconhecia aquela ruiva provocante que a minha porta se encontrava, contrariado abro a porta, ela um tanto surpresa pelos meus trajes, pois se percebia que só aquele roupão é que me separava da nudez completa. E sem se apresentar ela vai entrando, e se joga no sofá, e eu a mira lá de forma a interrogar lhe:

- Em que posso ser útil senhorita?! Pergunto a observando.

 - Hahahah.... Sabia que não me reconhecerias, parece que a maconha que nós fumávamos na faculdade lhe custará a memória não?!

           Neste instante um turbilhão de imagens e memórias me veio a cabeça, e diante daquela frase a incógnita ruiva se desmanchava.

 - Guilhermina?! – questiono a com a fisionomia surpresa.

 - Ah! Finalmente, já estava crendo que tinhas esquecido se de mim, o que não seria fácil depois dos fatos que vivemos juntos.

 - Hahaha... De ti não me esqueci, porém, me lembrava de uma Guilhermina de cabelo curto e loira. E além do mais, não estavas em Berlim?!

 - Ah! Estou farta da Europa! Continentezinho arrôgante!

 - Mas não era você que era louca pelo Velho Continente, reduto de mundo civilizado, de vanguarda e mentes abertas?

 - Nem me fale, confesso, estava errada, não que não seja, mas também não é tudo aquilo, eles são xenofóbicos e com complexo de superioridade, veem as brasileiras como putas, se eu não me imponho eles avançam o sinal e fazem o que bem entendem.

 - Ah não, você Guilhermina?! Uma libertina convicta, negando fogo?!

 - Jamais! Porém não sou mulher de se deixar ser mero brinquedo sexual, também quero prazer.

 - Hahahaha... Pelo jeito voltou pra ficar mesmo hein?

 - Parece que já entendeu tudo em Heitor! - e ao falar isso me olhava de forma travessa e leviana.

 - O que a senhorita quer dizer com isso?! – perguntei lhe olhando de forma a estranhar la.

 - Oras, não te lembra do convite que me fizeras há um ano, que caso eu voltasse da Europa e não tivesse onde ficar poderia fazer lhe companhia?

           Putz!! Tinha me esquecido disso, merda, me lembro de quando fiz esta proposta estava pensando no lazer, se é que vocês me entendem, e naquela época eu trabalhava de auxiliar de administração, o que fazia as contas serem pesadas se contarmos o apartamento, comida, luz e outros. Ou seja, uma grana a mais era mais que bem vinda.

           Juntava o útil money a agradável e devassa companhia de Guilhermina. Porém agora a situação é outra, pois tenho um salario bom e aprendi a gostar da liberdade de se viver sozinho. Não dava pra dizer não, nunca fui muito bom em dizer não, e por causa disso, já estive em muitas confusões, a maioria não eram nem minhas.

           E quando ia tentar dizer, me vem um taxista com as inúmeras malas, perguntando a ela onde poderia deixa las, quando vi a cena, vi que desfazer o prometido não resumiria num simples não, e a única alternativa era acatar os fatos, não moro mais só.

           Ela responde que poderia deixar na sala mesmo, que depois ela resolveria isso, vai até ele e o paga, e fecha a porta que eu tinha esquecido aberta. E me pergunta:

 - Aquele quarto vazio ainda esta vazio?!

           Demorei um pouco a responder, atordoado ainda pelos recentes fatos, e percebendo a pergunta dirigida a mim respondo:

 -Sim... sim, mas ainda esta com aquela cama que você odeia.

 - O que?! Não se desfez daquela coisa que você chama de cama ainda?! – reponde ela incrédula.

 -Ora Gui, eu nem uso aquele quarto, por que diabos iria remobiliar lhe?!

 - Filho da Puta! Quando você me convidou pra morar aqui pensava que eu iria dormi aonde, no sofá?!

- Hahahha... Claro que não, dormiria no meu quarto.

 - E você dormiria aonde Heitor?!

           E de forma descarada e com um tom igual respondo:

 - Com você, até porque o quarto é meu.

 - Descarado, então só me convidou pensando nisso né? – retruca entre risadas.

 - Não dispensei esta possibilidade.

           E continuamos a conversar enquanto a ajudava a levar as malas dela no quarto que agora era dela...

 - Dioniso de Aquino -

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Crônicas de Arranha Céus - Entre surpresas e acasos.

          Por fim, chego ao escritório, e diante de mim aquele leviatã burocrático, constituído de celulose e tinta negra. Pego a cadeira, arrasto a para junto da mesa, e um a um começo a analisar, e de pouco em pouco, vou decepando a montanha de papeis, de modo a agradar minha visão, pois o gigante começa a ruir. Por volta do final da tarde, dou o golpe de misericórdia, e na ultima rubrica sobre o papel, me liberto da cruz pesada que me fatigava tanto.


         Cansado, mas com um sorriso no rosto, sai do escritório leve, relaxado. Em direção ao metrô, acendo um cigarro, chego à estação, apago o e desço as escadas. Sorte, o trem já vem logo se aproximando da plataforma, não perco o instante e corro direto para o vagão que se abria. Sento e solto o corpo, e me vem aquele suspiro de alivio, graças a deus o vagão está quase vazio, fico a olhar ao nada, e em pensar em nada. Crendo que iria ser uma viagem tranquila, na estação seguinte já contemplo o mundaréu de gente que se aglomerava na plataforma ao ponto de quase transbordar e invadir os trilhos, quando as portas do vagão abriram avançou um turbilhão de pessoas de todos os tipos possíveis, e eu lá sentado, por um segundo pensei que iria ser soterrado sobre aquela massa homérica.


          Mas por sorte que fui poupado, porém, não escapei ao ferrete de Pilatos, já que fui confinado num cubículo humano, a parte que me cabia daquele latifúndio metálico sobre trilhos, a minha esquerda uma mulher já pelos anos de Balzac, a minha direita uma garota por volta dos seus imaturos 15 anos, e a minha frente um homem bem alinhado, por volta dos seus 27 anos, o trem começa a tomar rumo, e no balance do percurso as conversas diversas se perpetuam naquele ambiente, desde a novela e o futebol e outras trivialidades, até o debate acirrado sobre a alma humana de mais alto grau, com direito a recitações de autores, obras e poemas.


          Mas ao fundo um casal em afago mútuo, de forma ternua, com beijos lentos, calorosos, abraços que tinham como fim trazer a pessoa amada para mais perto de seu âmago, de modo que se atracavam pelo amor, ou de forma amorosa, e não na carnalidade escancarada e massificada pela mídia. Por um momento tive a impressão de que nada morre, nada se perde, apenas nos foge dos olhos. Humanidade aquarelada, mudando de tom, mas ainda sendo a mesma cor, ou se mostram diferentes de modo à quase se igualarem.


          Porém via gente a tombar perante o cansaço de vossos corpos e mentes, e eu ficava a pensar, vale a pena à existência só para sobreviver? Ou seria a sobrevivência a esperança por melhores tempos, onde o sol por fim brilhara para estes que dormem apoiados nos cantos, janelas e assentos daquele vagão? Sociedade desvairada, com profundos e supérfluos seres, mas a mim não cabe o titulo de salvador da pátria, que o tenham os que assim desejam.


          Mas paro a reflexão, a estação que se aproxima é onde desembarco, e me antevendo ao fardo de penetrar aquela muralha constituída de homens e mulheres para chegar a porta e sair daquele vagão superpopuloso. Ufa! Consegui, e inteiro por sinal, subo as escadas da estação e saio dela, tomando o rumo de casa, ao chegar na rua, a garoa me faz companhia, mesmo que indesejada, pois me pega desprevenido, porém sigo o caminho, o que mais quero é chegar em casa, tiras os sapatos, sentar no sofá e colocar meus pés encima da mesinha de centro, o resto eu penso depois.


          Chego à esquina e entro na portaria do meu prédio, cumprimento o porteiro e vou para o elevador. Entro e aperto o botão do 12° andar, chego e me dirijo a porta do meu apartamento, ao entrar noto um cheiro de comida no ar, musica ambiente, um vinho e duas taças sobre a mesa posta iluminada pelo castiçal de duas velas, e por ultimo me chega alguém pelas costas que me abraça e afaga meu corpo, e eu a retribuir a acaricia, abraço de costa aquela pessoa, e pelo traçar das curvas do corpo e seu perfume campestre suavemente fresco e adocicado percebo quem é.


          Era Laura, espere um pouco, Laura? Não, os fatos não se conversavam, não estavam em comunhão. Então disse;


          - Quem diria, Laura Lafayett dando uma de romântica – começo a rir, e termino - Devo de estar delirando.


          E ela responde com um dengo de revoltada;


          - Então é assim que o senhor me agradece seu ingrato, acho que não vai querer o meu macarrão ao molho branco então né?!


          Respondi lhe entre risadas:


          - Não pode ser, romântica e ainda “chef de cuisine”, não pode ser a mesma Laura que conheço, não, devo mesmo de estar delirando.


          E ela esbraveja;


          - Mas é mesmo um ingrato.


          Quando ela se afasta de mim, viro e a reatenho em meus braços, a cubro de mim afim de lhe alcançar a boca e beija la ternamente, tendo o perdão daquela que beijo.


          Eu pego os pratos e ela servi, depois sirvo o vinho, jantamos entre conversas e risadas, depois valsamos ao som do tango triste que soa na sala. Valsamos colados como seres de paixão não declarada, juntos a rodopiar, um a sentir a respiração do outro, a se satisfazer somente do calor que o outro emana. Os desejos da carne cessam, ao fim de que a simples companhia já se faz prazerosamente bastante a nos. Estranho, mas não interrompo, pois gosto deste saboroso momento, e este valsar o mundo some me da percepção, me cego ao fim de expandir as outras percepções. O aroma de sua pele, a textura macia, a musica a nos inebriar.


          E por toda a noite íamos desfrutando deste momento até que o celular dela toca, e ela se separa de mim para atende lo, concorda com a pessoa ao lado e o desliga, pega sua blusa e sai apresada, se despede de mim com somente um beijo, sem mais nem menos, mulher instável, imprevisível, e deliciosa por isso. Desligo o radio, apago a vela, esvazio as taças, vou ao banheiro, ligo o chuveiro, vou direto pra debaixo d’água e fico ali um bom tempo, saio, desligo o chuveiro e me seco, e nu vou para cama, alias, estranho seria eu ir para ela vestido, sempre dormi assim, bicho solto, desinibido com meu sexo. Com o meu eu.


          E deitado me ponho a pensar naquele momento impar, um acaso, não compreendo, mas desde quando a razão entende a emoção, só sei que foi voluptuosamente delicioso. E em pensar nisso me pus a dormir. Despertador toca. Ah 7h 30min?! Merda!!! Esqueci de desligar o despertador...

- Dionisio de Aquino - 

sábado, 18 de setembro de 2010

Crônicas de Arranha Céus - Acorda! Olha a vida, olhe a hora!

          São 7:30 AM, acordo com o despertador, percebo que Laura nem sequer percebeu a existência do barulho, saio da cama meio cambaleando, meio dormindo. A madrugada fora longa, e apenas pude cochilar depois da transa com a mulher que iria dormir até às 2 da tarde, burguesa dos Jardins, ela podia, o dinheiro do pai permitia a ela esta regalia, regalia esta que eu não tinha.


          Vou à cozinha, tomo um copo de água, após, ligo o chuveiro e vejo se desperto de vez, enquanto a água quente caia me sobre a cabeça, penso na madrugada que passou. Mas especialmente na parte anterior ao meu cochilo, mais vamos por partes e pela ordem, se não nos perdemos entre os desfechos da história.


          Noite de sexta, parece que carrega todas as luxurias em si, e a todos enche de desejos de que a noite não acabe mal, nada de mãos abanando, tem que ter história para contar amanhã, e nesta caça em que todos são caças todos são caçadores, se abre a noite, e no final dela, se conta os triunfos, omitem se as quedas.


          Mas nos atemos à história, às vezes me esqueço de que estou contando a minha estória, e não divagando, como poeta e filosofo frustrado que sou. Ixi, já estou puxando estórias antes da hora. Normal, verão isso muito no meu falatório, bem, voltemos ao assunto, naquela noite de sexta, sai da repartição cansado mentalmente, pensando em como me livrar daquelas malditas montanhas de papeis que estavam me esperando no sábado, pois tinha prazo apertado para entregar, foi quando o meu celular tocou, era o Beto, falando de uma balada, na qual ele iria com a turma.


          Não estava a fim de ir para casa, então confirmei, peguei um taxi, pois os ônibus estariam lotados, e eu não tava a fim de ficar naquela lata de sardinha infernal, como de sexta é liberado ir com roupa informal, até que dava pro gasto, chegando lá, o Beto já tinha dado um toque pro segurança, que ao me ver, já me deu passagem, lá dentro encontrei a turma, foi ai que percebi a presença de Laura, já tínhamos tido um caso, e de veras recaídas de ambas as partes, de modo para não acabar só a noite.


          A cumprimentei e fui ao bar pegar um drink de tequila para dar uma animada, e a noite foi indo, e se passaram mãos em partes de outras, como bocas, coxas, bundas, cinturas, lábios e línguas, mas no final da noite me deparo com Laura um pouco alterada, o que era normal a ela, boêmia inveterada, ébria convicta, porém, não podia eu condena lá, estava na mesma situação, então fui a ela, e comecei a conversar, no decorrer da conversa em meio a risos e fala embaralhada, eu a encostei na parede, e ai começou os amassos intensos, como o ponto de taxi ficava ali perto, a convidei para dormir no meu apartamento, como já ocorrera algumas outras vezes, ela não fez rodeios e logo aceitou, pegamos o taxi e fomos nos amassando, vigiado pelos olhares do taxista, que entre uma olhada e outra para rua, fugia o olhar a nos mirar, enfim chegamos, paguei o, e logo subimos, no elevador se prosseguiu o que no carro estávamos a fazer, mas com mais espaços para as mãos circularem e aproveitar o que os corpos ali dispostos tinham de melhor a oferecer.


          Chegamos ao 12° andar, e fomos direto ao meu apartamento, e pela sala fomos nos despindo, com beijos flamejantes de desejo, numa antropofagia sexual das duas partes, e na poltrona ela me jogou, e entre minhas pernas consumiu em delírios o meu falo latejante, e eu a me extasiar pelas caricias ali feitas. Eu a gemer de prazer com o desempenho formidável daquela mulher que ali entre as minhas coxas se encontrava.


          Depois de eu ter esporrado voluptuosamente, agarrei a com força e a joguei no sofá, a fim de retribuir os prazeres que ela me tinha proporcionado, fui degustando seu corpo, iniciando pelo pescoço, depois, devorando os seios fartos que tinha, chegando a sua cintura e por fim, a desejada flor desabrochada rósea, que a consumi intensamente, fazendo com que ela se retorcesse e gemesse ferozmente. Quando por fim da um ultimo gemido prolongado, que anuncia a ascensão do clímax, e descarna de tuas partes a força, fazendo com que se derramasse no sofá que estava.


          E a atendo em meus braços, a levei ao altar mor de nosso ato, e nos lençóis e deixei, e logo em seguida me coloquei entre suas pernas, ajoelhado e dubiamente ereto, comecei a adentrar e desbravar vossas profundezas insanamente, como um desvairado entorpecido de desejo ardente de consumação. E sobre ela fiquei a lhe provar o pescoço e o colo, enquanto lhe estocava vorazmente, de modo que minhas mãos agarradas as suas coxas, à firma lhe melhor.


          Quando finalmente nos extasiamos e entorpecemos na explosão de orgasmos e gozo projetados pelos corpos nossos que depois do fato consumado, caem fadigados, eu esparramado sobre a cama, e ela sobre meu peito a dormir. Laura é uma parceira notável, mulher fogosa, insaciável, com todo o respeito, mas uma puta memorável. Parece que nossos corpos se completam, conversão, devoram se prazerosamente.


          Desligo o chuveiro, saio do flashback, retorno a realidade, me visto rápido e parto a correria louca, pois me encontro atrasado, eterno tempo carrasco, sempre a mim contrário, desço pelo elevador, saio a rua e me dirijo ao metrô, sigo rumo ao escritório, mas esta parte vos conto em outra oportunidade, necessito termina com esta papelada antes que os prazos expirem e o diretor me ferre sem piedade...



                                                             - Dionísio de Aquino -